
A tecnologia faz parte da vida humana deste que nós usamos ferramentas ou, mais precisamente, fazemos das coisas que nos cercam instrumentos em nossas ações. No entanto, o que faz das coisas instrumentos específicos é, evidentemente, a sua utilidade específica. A utilidade das coisas, como nos lembrava Marx nas primeiras páginas de O Capital, é histórica, portanto, cada época e cada lugar destina aos seus recursos a utilidade que acredita ser a melhor para satisfazer suas necessidades. Partindo desta idéia podemos dizer que as tecnologias presentes, servindo a necessidades específicas de nosso tempo, assumem novas utilidades, por responderem a novas exigências. Mas o que significa ser útil nos dias de hoje?
Devemos ter em mente que as transformações por que passam uma sociedade possuem significados múltiplos, e as que motivaram a criação dos recursos tecnológicos existentes também possuem esta verdade. A necessidade de armazenamento e compartilhamento da informação nos acompanha desde os primórdios da humanidade como no caso das pinturas rupestres que representavam a luta diária pelo alimento nas imagens da caça. Mas o que marca o diferencial de nosso tempo é o volume, a qualidade e a velocidade com que realizamos este mesmo empreendimento. Isso se deve principalmente a invenções como a do microchip, mais recentemente, do computador e, há pouquíssimo tempo, da internet. Eles estão numa linha de desenvolvimento radicalmente diferente das tecnologias que os antecederam. É importantíssimo notar que essas tecnologias marcam o início e definem o percurso das grandes conquistas que faríamos ao final do século XX. Mas que “linha” seria esta?
Se observamos as razões pelas quais as tecnologias do século XVIII foram desenvolvidas percebemos que elas estavam diretamente ligadas ao ganho de produtividade na fabricação de bens de consumo ou de meios de produção. Grandes máquinas a vapor, depois elétricas, e técnicas de organização do trabalho eram a tônica de tal desenvolvimento. As consequências destes processos são mais do que visíveis atualmente. A destruição da natureza e as formas modernas de exploração do trabalho humano estão diariamente em nosso campo de visão. As tecnologias do século XX responderam a necessidades idênticas, mas de forma diferente, ou seja, ganharam sua utilidade de uma outra maneira. Transformamos no último século a informação na matéria-prima de nossa indústria e a comunicação no processo de transformação dela em objeto de valor. Vimos isso nas estratégias militares, na corrida espacial, no avanço dos meios de comunicação de massa, nas lutas pela liberdade de expressão e na explosão das telecomunicações. Francis Bacon dizia “Saber é poder” e o mundo contemporâneo completa afirmando que apenas saber não basta, é preciso compartilhar. O mundo virtual é o mundo da informação e da comunicação.
É certo que as necessidades últimas que orientam a produção de novos recursos são tão antigas quanto o homem, a sobrevivência, a comunicação, o lazer, e até os recursos podem ser os mesmos há muito tempo, como o livro ou a caneta, mas o que faz de uma tecnologia nova é, certamente, o modo como a usamos e resolvemos as nossas dificuldades. As novas tecnologias são, antes de outra coisa, fruto de uma mudança de postura dos seres humanos.