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Engenharia reversa e a anatomia

 

Durante a chamada Alta Idade Média, época de consolidação da vida feudal, a Igreja concentrou sobre si todo o conhecimento existente acerca dos fenômenos naturais e humanos. Na busca de conciliar fé e ciência, ela elaborou muitas formas de responder a indagações sobre as leis que regiam o mundo e a sociedade. No entanto, para nós agora é visível quantas ideias foram podadas, vidas ceifadas, em nome de tão forçosa conciliação. Mas um caso em especial me veio a mente estes dias, trata-se da ciência da anatomia que, analogamente, pode justificar uma prática conhecida no desenvolvimento de software livre. A anatomia, estudo dos corpos dos seres biológicos por fora e por dentro, foi proibida em seres humanos durante boa parte da Idade Média. A razão parece não nos comover hoje, mas naquele período era suficiente para fazer desta prática um sacrilégio. O corpo era sagrado, uma dádiva de deus, e apodrecer intocável envolvida até certa dignidade para um ser humano. No entanto, o maior esforço possível tentava comparar o corpo dos animais ao dos seres humanos, gerando uma série de equívocos na medicina medieval.

Expandidas as práticas renascentistas, na Baixa Idade Média, pouco a pouco reconheceu-se que a grande as grandes obras de Deus, principalmente os céus e o ser humanos, poderiam ser compreendidos melhor, se fossem mais explorados. A anatomia veio a dar seus passos mais largos logo que pode abrir a caixa preta e estudar o código-fonte do ser humano, a exemplo do que faz hoje a engenharia genética.

No desenvolvimento do software livre, práticas exaustivas tem sido realizadas para que sistemas trancados a sete chaves, como por exemplos drivers de hardware, possam ser entendidos e reproduzidos. Isso permite que mais ideias e inovações livres possam melhorar o desempenho dos próprios equipamentos. Chamamos a prática de romper estas barreiras de Engenharia Reversa. Uma prática antiga, hoje ela é muito aplicada para fazer funcionar equipamentos que só rodariam sob software proprietário em maquinas rodando software livre. Imagine ter que compreender como funciona seu carro apenas olhando, sem um mapa detalhado com nome das peças e seus comportamentos? Muito usada em circunstâncias militares, mas também na indústria farmacêutica, a Engenharia Reversa é a única saída quando todo o desenvolvimento volta-se para soluções proprietárias.

Aliada a esta prática, continua a luta pela abertura dos códigos de softwares essenciais para fazer funcionar os componentes de quaisquer máquinas sob as mesmas condições, bem como a luta para que os próprios hardwares sejam desenvolvidos a partir de soluções livres. O desenvolvimento de software livre deve ser acompanhado do hardware livre.

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